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Cruz de Caravaca - Santo Cruzeiro



A Cruz de Caravaca surgiu na história da cristandade pela primeira vez em 1232, na cidade espanhola de Caravaca, em Múrcia, tida como um poderoso amuleto, era adotada pelos cruzados, templários e missionários. No Brasil, a Cruz de Caravaca foi trazida pelos primeiros colonizadores, possivelmente na esquadra de Martin Afonso de Souza. A primeira trave simboliza a paixão de Cristo, o sacrifício do Cordeiro de Deus para nossa salvação. A segunda trave significa a ressureição de Cristo, a Boa Nova. Na doutrina Daimista simbolicamente também representa o Mestre Juramidã com sua mensagem de alento, a revelação entregue ao Mestre Irineu por Nossa Senhora da Conceição do Cristo vivo. Popularmente os dois braços significam fé redobrada.

A Cruz de Caravaca tem um infinito poder de proteção e bons augúrios. O significado esotérico da Cruz é o cruzamento do espírito (linha vertical) e o plano material (linha horizontal), dando como resultado o homem, que é um ser que se move no plano material com opção de ascender ou descender espiritualmente. É usada em distintos rituais esotéricos, pois é um amuleto sumamente eficaz, outorga proteção contra todo tipo de males, protege a casa e a seus habitantes, devolve as mas energias e os danos, protege a economia familiar e brinda prosperidade.


Na Doutrina do Daime aproximadamente no período de 1938 Mestre Irineu introduziu o símbolo central do Daime, a Cruz de Caravaca (uma cruz de dois braços). A adoção dessa cruz, sob a denominação de Cruzeiro, hoje obrigatória em todos os trabalhos do culto, é mais um importante esteio simbólico à cristianização das antigas tradições ayahuasqueiras. Essa versão da cruz de Cristo, embora atualmente pouco comum

nas cerimônias católicas, era bastante conhecida pelo povo amazônico no início do século XX e já era utilizada por muitos xamãs do “vegetalismo” mestiço. (LUNA, 1986; TAUSSIG, 1993) Introduzida pelos sacerdotes ibéricos durante o período colonial, ainda hoje é encontrada em diversos marcos da colonização espalhados pelo Brasil (São Miguel das Missões - RS, ou, Olinda - PE, por exemplo).

Seu simbolismo esotérico remontaria ao seu aparecimento mágico na região da Murcia, na cidade de Caravaca, Espanha.

Atualmente essa cruz é geralmente associada ao xamanismo, à magia e ao esoterismo, devido ao uso que os praticantes dessas artes fazem da coletânea de orações que leva seu nome.

Anteriormente, Mestre Irineu utilizava uma cruz simples de um só braço, em cima da mesa central. Não se sabe como Mestre Irineu veio a adotar a cruz de Caravaca nos rituais do Daime. Talvez a tenha conhecido nos primórdios de sua iniciação com ayahuasca nas sessões dos vegetalistas mestiços na fronteira do Brasil com o Peru. Outra possibilidade é que ele a tenha conhecido através do livro A Cruz de Caravaca – Tesouro de Orações, considerando-o um bom símbolo para seu culto ayahuasqueiro esotérico.


A respeito da adoção dessa cruz Paulo Serra (filho adotivo de Mestre Irineu) comentou:


"Ele no começo fez uma cruz. Era só uma cruz de um braço. Mas, aí quando ele começou a receber os hinos e tudo, diz ele que recebeu a mensagem pra botar dois braços no Cruzeiro. Foi lá na Vila Ivonete. Era logo no começo. Quando ele recebeu, o vovô Antônio Gomes nem vivia ainda aqui (antes de 1939). Diz que ele em um determinado tempo. [...] recebeu a mensagem pra botar dois braços no Cruzeiro. Foi quando ele viu o livro Cruz de Caravaca, que tem a Cruz com dois. Foi aí, que ele achou que estava certo, como ele recebeu. (Paulo Serra)"


Para Luiz Carlos Teixeira de Freitas a imagem da cruz representam, o propósito e a identidade, explicitados no conteúdo Doutrinário do Daime, sendo o madeiro vertical, indicando o caminho às profundezas de si mesmo e a Deus, enquanto todo o mais – inclusive a ritualística – é a viga horizontal, descrevendo as relações e realizações humanas que condicionam o desenvolvimento do processo de crescimento espiritual.


Fontes:

MOREIRA, P. Eu venho de longe : Mestre Irineu e seus companheiros / Paulo Moreira, Edward MacRae. – Salvador : EDUFBA, 2011. 592 p.


TEIXEIRA, L. C. A Doutrina Daimista e a Cruz.


 

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